Sonda Osiris-Rex, da Nasa, chega ao asteroide Bennu

Ilustração mostra a sonda Osiris-Rex colhendo amostra da superfície do asteroide Bennu: rocha espacial é um verdadeiro fóssil da formação do Sistema Solar Foto: Divulgação/Nasa

A sonda Osiris-Rex vai passar mais de dois anos estudando rocha espacial antes de descer para colher amostra e trazê-la para a Terra em 2023.

A sonda Osiris-Rex, da Nasa, chegou ao seu alvo, o asteroide Bennu, na tarde desta segunda-feira. O sucesso da operação, na qual a nave acionou seus motores de forma a desacelerar e entrar numa órbita a cerca de 20 quilômetros sobre a rocha espacial, foi transmitido ao vivo pela agência espacial americana na internet.

A informação de que a Osiris-Rex estava na posição pretendida foi recebida pelos cientistas da Nasa por volta das 15h08, pouco mais de 7 minutos depois do fim do processo, tempo que os sinais de rádio levaram para percorrer à velocidade da luz os aproximadamente 130 milhões de quilômetros que a separam da Terra atualmente.

Lançada em setembro de 2016, a Osiris-Rex (acrônimo para seu complicado e extenso nome completo em inglês, que numa tradução livre seria: “explorador das origens, interpretação espectral, identificação de recursos e segurança de regolito”) vai passar pouco mais de dois anos estudando o asteroide de sua órbita antes de se aproximar para recolher uma amostra, voltando com ela à Terra, espera-se, em 2023.

Ilustração mostra a sonda Osiris-Rex colhendo amostra da superfície do asteroide Bennu: rocha espacial é um verdadeiro fóssil da formação do Sistema Solar Foto: Divulgação/NasaCom cerca de 500 metros de diâmetro, Bennu é um dos chamados “objetos próximos da Terra” (NEOs, também na sigla em inglês), asteroides, restos de cometas e outros corpos que frequentemente se aproximam de nosso planeta, de um subtipo conhecido como “potencialmente perigosos” por também, às vezes, cruzarem nossa órbita em torno do Sol. Apesar disso, não há qualquer risco de colisão num futuro próximo, e apenas uma chance muito remota de um choque no fim do próximo século.

Mas o que mais desperta o interesse dos cientistas, no entanto, é o fato de que Bennu é um verdadeiro fóssil da formação do Sistema Solar, há cerca de 4,6 bilhões de anos, podendo assim fornecer preciosas informações sobre este processo. Raro asteroide de um tipo conhecido como B, ou seja, rico em carbono, ele é considerado “primitivo”, tendo sofrido poucas alterações desde então.

Com isso, os cientistas esperam que Bennu ainda contenha grandes proporções tanto de argila quanto de outros minerais hidratados, além de materiais orgânicos. Isso porque, de acordo com algumas das principais teorias atuais, os asteroides (junto com os cometas) teriam sido os responsáveis por trazer à Terra não só boa parte da água de nossos oceanos como os tijolos básicos para que a vida se desenvolvesse neles, como aminoácidos e outros compostos orgânicos simples (açúcares, álcoois etc).

Assim, a Osiris-Rex também é um dos equipamentos mais “limpos” já mandados ao espaço. Para evitar que a preciosa amostra de Bennu seja contaminada com qualquer substância terrestre, a sonda e seus equipamentos foram constantemente monitorados e esterilizados ao longo de todo o processo de construção pela empresa americana Lockheed Martin até seu lançamento em 2016.

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