Traficante é solto após decisão do STF e pode explodir guerra de facções no Rio

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Condenado a 27 anos e três meses de prisão, o traficante Antonio Ilario Ferreira, conhecido como Rabicó ou Coroa, foi solto, após conseguir uma decisão favorável no Supremo Tribunal Federal.

O ministro Marco Aurélio Mello concedeu uma liminar permitindo que o criminoso, apontado como chefe do tráfico de drogas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, aguarde em liberdade o julgamento do recurso do último processo que o mantinha atrás das grades.

Traficante é solto após decisão do STF e pode explodir guerra de facções no Rio

Foto: Reprodução

A decisão do magistrado foi dada no fim de outubro, uma semana antes do STF decidir contra a prisão após condenação em 2ª instância. Rabicó estava preso há 11 anos e oito meses. Antes de ser solto, ele estava na penitenciária federal de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

O traficante possui condenação em três processos criminais por tráfico de drogas e associação para o tráfico. A defesa de Rabicó ainda está recorrendo na Justiça para tentar diminuir as penas ou absolver o traficante.

Em dois dos processos respondidos por Rabicó, a Justiça já havia autorizado que o chefe do tráfico no Salgueiro esperasse o julgamento dos recursos em liberdade. Ele ainda era mantido preso em um último processo, em andamento na 40ª Vara Criminal do Rio, e no qual o criminoso foi condenado a 10 anos de prisão.

Foi nessa ação que o ministro Marco Aurélio deu decisão favorável a Rabicó. O magistrado argumentou que era grande a possibilidade de o STF mudar seu entendimento sobre a execução provisória da pena, como acabou ocorrendo no dia 7 de novembro.

Rabicó ainda responde em liberdade a outros dois processos nos quais ainda não foi condenado. Ele também foi absolvido em outras ações. Ao ser preso, em 2008, o traficante era considerado foragido por ter descumprido as regras da liberdade condicional que havia conseguido no ano anterior.

Alerta:

A liberdade do criminoso colocou em alerta as autoridades de Segurança Pública do Rio. Em abril deste ano, traficantes entraram em guerra em São Gonçalo após Thomar Jayson Vieira Gomes, o 3N, que comandava o tráfico no Complexo do Salgueiro para Rabicó ter desafiado o chefe.

De acordo com informações do jornal EXTRA, Rabicó determinou que outro comparsa, Antonácio do Rosário, O Schumaker, de 35 anos, executasse 3N para tomar o controle do Salgueiro.

Ao saber dos planos do chefe, 3N se antecipou, matou Schumaker e passou a fazer parte de outra facção criminosa. O receio é de que, em liberdade, Rabicó queira se vingar do antigo comparsa. Na nova quadrilha, 3N vem tentando, com frequência, dominar o Salgueiro.

Rabicó no Rio:

Em um primeiro momento, ao ser solto, Rabicó não quis retornar ao Rio. O juiz corregedor da penitenciária federal de Campo Grande, Dalton Igor Kita Conrado, responsável por determinar a expedição do alvará de soltura do criminoso, afirmou que se fosse de interesse do preso, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) deveria providenciar seu retorno ao Rio, mas Rabicó dispensou a ajuda.

O chefe do tráfico do Salgueiro, no entanto, terá que retornar ao Rio, já que precisa se apresentar periodicamente à Justiça.

O ministro Marco Aurélio, em sua decisão, determina que Rabicó mantenha a Justiça atualizada sobre o seu endereço, informando de possíveis mudanças. Além disso, afirma que o criminoso deve ser alertado de que deve “adotar postura que se aguarda do cidadão integrado à sociedade”. Procurados, os advogados de Rabicó não quiseram se manifestar.

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