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Desabamento deixa 20 mortos na Muzema, Zona Oeste do Rio

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As buscas entraram no sétimo dia na manhã desta quinta-feira (18). Vinte pessoas morreram e os bombeiros trabalham com o número de  3 desaparecidos.

muzema, zona oeste

Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

Os últimos três corpos haviam sido encontrados na quarta-feira (17). De acordo com os bombeiros, os dois corpos retirados do local por volta das 14h são de um homem e de uma mulher.

O trabalho de busca é feito com a ajuda de cães farejadores e também com as informações dadas pelos moradores do local. Militares do Exército também auxiliam na busca.

A 16ª DP, Barra da Tijuca, investiga as causas do desabamento e tenta identificar os responsáveis pela construção.

Segundo a delegada titular da 16ª DP (Adriana Belem), os responsáveis serão identificados e responsabilizados, tanto pelas mortes, quanto pelas lesões e também pelas construções irregulares.

Depoimentos:

Em depoimento, o presidente da associação de Moradores da Muzema, Marcelo Diniz, afirma que não sabe quem construiu os prédios e que não há ação de milicianos na região.

Uma das empresas que será intimada pela delegacia é a Gaúcha New Construtora Consultoria Planejamento e Projetos LTDA, citada em uma Ação Civil Pública, em que também estão envolvidos o município do Rio e a Olimpique Incorporações e Participações LTDA.

Justiça:

O Ministério Público e a Polícia Civil  já investigam a ação da milícia que atua em Rio das Pedras e também controla a região da Muzema.

Na decisão da última segunda-feira (15), o desembargador Caetano Ernesto da Fonseca Costa, da 7ª Câmara Cível do TJRJ, determinou a “pronta suspensão de qualquer movimento de terras no local demarcado da ação (Condomínio Figueiras do Itanhangá), assim como impedir a realização de obra e de construções novas, ainda que a título de acréscimos a construções ali já existentes”.

A multa para o prefeito Marcelo Crivella, caso a decisão não seja cumprida, foi estipulada no valor de R$ 10 mil por dia de descumprimento.

O que dizem as autoridades?

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, que foi para o local do acidente, afirmou que as obras no local continuaram mesmo após a interdição, em 2018.

“A Prefeitura do Rio já havia comunicado ao Ministério Público e tentado interditar, mas, infelizmente, uma liminar judicial impediu a demolição desses prédios, e as obras continuaram”, explica o prefeito.
“Estamos aqui com a nossa equipe trabalhando para tentar resgatar as pessoas dos escombros. Fica para todos nós uma lição: quando a Prefeitura alertar sobre esses riscos, vamos dar ouvidos para que isso não aconteça nunca mais”, acrescentou.

O governador, Wilson Witzel, se pronunciou na rede social Twitter.

O secretário municipal de infraestrutura, Sebastião Bruno, anunciou que a prefeitura está escorando um prédio abaixo e outro acima do local do desmoronamento. Outros três imóveis oferecem risco.

Entenda o que aconteceu:

Desabamento de prédios deixa 2 mortos e 9 feridos na Muzema, Zona Oeste do Rio

Foto: Jose Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo

Na manhã da última sexta-feira (12), por volta das 7h, dois prédios, entre quatro e seis andares, desabaram na Muzema, Zona Oeste do Rio.

De acordo com testemunhas, na manhã do acidente havia um forte cheiro de gás no local que é dominado por milícias. Os criminosos atuam na construção e venda de imóveis irregulares.

A Prefeitura do Rio afirmou que as construções são irregulares desde 2005 e já haviam sido interditadas, mas uma liminar de 2018 impediu que fossem demolidas.

A Muzema foi uma das áreas mais atingidas pelo temporal que caiu no Rio na última segunda-feira (8). O desabamento aconteceu em uma das áreas mais elevadas da comunidade, perto da mata.

Uma testemunha conta que os moradores estavam preocupados com as consequências da chuva e o andamento das construções.

“Eles construindo sem fim, sem parar. Uma construção atrás da outra, uma loucura. Era retroescavadeira, explosões constantes. Só querem construir e vender”, afirmou a moradora.

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