Ex-governador de MG Fernando Pimentel é indiciado por suposto desvio de quase R$ 1 bilhão

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A Polícia Civil indiciou o ex-governador de Minas Gerais Fernando Pimentel (PT) pelo crime de peculato – subtração ou desvio de dinheiro público – em suposto desvio de quase R$ 1 bilhão de recursos de empréstimos consignados dos servidores que não eram repassados aos bancos.

O ex-secretário de estado da Fazenda José Afonso Bicalho Beltrão da Silva também foi indiciado pelo crime. Se condenados pela Justiça, eles podem pegar de 2 a 12 anos de prisão.

De acordo com Gabriel Ciríaco Fonseca, delegado titular da Delegacia de Combate à Corrupção, 280 mil servidores tiveram os empréstimos consignados descontados no contracheque. Os valores, no entanto, não foram repassados às instituições onde os empréstimos foram feitos.

Se somados, segundo Fonseca, são mais de 2,5 milhões de atos de peculato praticados pelo governo do estado. O valor exato, de acordo com o delegado, é de R$ 924.337.482, 25, que foram retidos pelo estado e não repassados de setembro de 2017 a maio de 2018.

Ex-governador de MG Fernando Pimentel é indiciado por suposto desvio de quase R$ 1 bilhão

Foto: Reprodução/TV Globo

Nome sujo:

Além de terem o valor do empréstimo descontado na folha de pagamento, os servidores ainda tinham o nome incluído no SPC Serasa por inadimplência, já que o repasse não era feito aos credores. Havia, portanto, uma dupla cobrança.

Alguns servidores, de acordo com o delegado, pagaram a dívida duas vezes para evitar que o nome fosse para o SPC Serasa e para poder fazer outros empréstimos futuramente.

A polícia disse que eram de 20 a 25 instituições financeiras autorizadas a fazer empréstimos para os servidores.

O inquérito foi instaurado em agosto do ano passado a pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Crise financeira

“Os autores tinham ciência desta situação e imputaram a falta de repasse à severa crise financeira da época”, contou Fonseca.

A Polícia Civil disse que os empréstimos consignados não podem ser afetados por crise financeira porque trata-se de uma verba pública que vira particular desde que é incorporada ao contracheque do servidor e, por isso, o valor tem que ser destinado às instituições financeiras.

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