Evo Morales afirma que está disposto a voltar à Bolívia

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O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou na quarta-feira (13) que voltaria para “pacificar” seu país se os bolivianos pedissem. A declaração foi feita no México, onde ele está asilado após semanas de protestos violentos que levaram a sua renúncia.

Morales deu nesta quarta sua primeira coletiva de imprensa do exílio, onde chegou na terça-feira em um avião militar mexicano.

“Se meu povo pedir, estamos dispostos a voltar para apaziguar, mas é importante o diálogo nacional”, disse Morales, acrescentando: “vamos voltar cedo ou tarde. Quanto antes melhor para pacificar a Bolívia”.

Evo Morales afirma que está disposto a voltar à Bolívia

Foto: Eduardo Verdugo/AP

O ex-presidente, que deixou o poder depois da Organização dos Estados Americanos (OEA) constatar a fraude e recomendar novas eleições, reiterou seu chamado a um diálogo nacional no qual poderiam participar “países amigos” em uma espécie de mediação entre as forças políticas.

“É importante o diálogo nacional. Sem diálogo nacional, estou vendo que vai ser difícil deter este confronto”, acrescentou.

Algumas horas mais tarde, Morales fez um apelo a países europeus, à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Igreja Católica, por meio do Papa Francisco, a acompanhar “o diálogo para pacificar nossa querida Bolívia”.

“A violência atenta contra a vida e a paz social”, escreveu no Twitter.

Até quarta-feira, a Bolívia registrava 10 mortos nos protestos após as eleições polêmicas em que Morales foi eleito para um quarto mandato, pleito que foi tachado de fraudulento pela oposição e que uma missão da OEA qualificou como repleto de “irregularidades”.

Homenagem:

À tarde, Morales foi recebido em uma cerimônia pela prefeita da Cidade do México, Claudia Sheinbaum, que lhe entregou uma medalha e um pergaminho para declará-lo um “hóspede distinto” da capital.

Ao chegar, dezenas de pessoas o receberam do lado de fora da prefeitura gritando “Aimará, irmão, o povo te dá a mão!” e “você não está sozinho”.

Em agradecimento, Morales disse que dentro e fora de seu país “eles não aceitam que a Bolívia é anticolonialista e anti-imperialista” e que ele não renunciou como “covarde”, mas por “cuidar da vida” dos bolivianos.

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