Bolsonaro recebe Moro após vazamento de mensagens

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Bolsonaro recebe Moro após vazamento de mensagens

Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sérgio Moro, se encontraram nesta terça-feira (11) no Palácio da Alvorada.

A reunião aconteceu após o site The Intercept publicar no último fim de semana uma reportagem com mensagens atribuídas ao ministro  e a procuradores da Operação Lava Jato.

De acordo com informações do site, Moro, então juiz responsável pela Lava Jato no Paraná orientou ações e cobrou novas operações dos procuradores que atuam na operação. As conversas aconteceram pelo aplicativo de mensagem Telegram.

O encontro entre Bolsonaro e Moro para discutir as mensagens publicadas pelo site foi anunciada pelo porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros.

Cerimônia:

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Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República

Após o encontro no Palácio da Alvorada,  Bolsonaro e Moro seguiram para uma cerimônia militar da Marinha do Brasil.

Os dois chegaram juntos ao Grupamento de Fuzileiros Navais de Brasília, onde aconteceu a cerimônia militar alusiva ao 154º Aniversário da Batalha Naval do Riachuelo e de imposição da Medalha da Ordem do Mérito Naval.

Criada em 1934, a medalha reconhece militares da Marinha que se destacaram no exercício da profissão. A medalha também é entregue a civis e corporações, brasileiras ou estrangeiras, que prestaram serviços relevantes à Marinha.

Também receberam a condecoração: Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), Tereza Cristina (Agricultura), Osmar Terra (Cidadania), Henrique Mandeta (Saúde), Santos Cruz (Secretaria de Governo), Wagner Rosário (CGU), Henrique Canuto (Desenvolvimento Regional) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores).

Moro comenta o caso:

Sérgio Moro comentou o caso na segunda-feira (10). O ministro afirmou em uma entrevista coletiva em Manaus que não orientou a atuação dos procuradores, acrescentando que os trechos mencionados na reportagem, na opinião dele, não mostram prática ilegal.

“Na verdade, já me manifestei ontem, não vi nada de mais ali nas mensagens. O que há ali é uma invasão criminosa de celulares de procuradores, não é? Pra mim, isso é um fato bastante grave – ter havido essa invasão e divulgação. E, quanto ao conteúdo, no que diz respeito à minha pessoa, não vi nada de mais”, afirmou o ministro.

O secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, explicou que falou com o presidente sobre o vazamento no domingo (9) e voltou a conversar sobre o caso com Bolsonaro às 6h30 de segunda-feira (10).

De acordo com  Wajngarten, Bolsonaro repetiu a afirmação: “Nós confiamos irrestritamente no ministro Moro”.

Dallagnol defende imparcialidade da Lava Jato; Veja o vídeo:

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Foto: Geraldo Bubniak / Agência O Globo

O procurador federal Deltan Dallagnol se pronunciou na segunda-feira (10) e defendeu a imparcialidade da Lava Jato.

Dallagnol afirmou que a operação acusou políticos e pessoas ligadas a diversos partidos.

No vídeo (abaixo), o procurador afirma ser natural a comunicação entre juízes e procuradores sem a presença da outra parte.

“É normal que procuradores e advogados conversem com juízes sem a presença da outra parte. O que se deve verificar é se existiu conluio ou quebra da imparcialidade. A imparcialidade da Lava Jato é confirmada por muitos fatos. Centenas de pedidos feitos pelo Ministério Público foram negados pela Justiça. Cinquenta e quatro pessoas acusadas pelo Ministério Público foram absolvidas pelo [então] juiz federal Sérgio Moro. Nós recorremos centenas de vezes contra decisões, o que mostra não só que o juiz não acolheu o que o Ministério Público queria, mas mostra que o Ministério Público não se submeteu ao entendimento da Justiça. Some-se a tudo isso que todos os atos e decisões da Lava Jato são revisados por três instâncias independentes do Poder Judiciário, por vários julgadores”, afirma em um trecho do vídeo.

Dallagnol falou ainda sobre o processo do triplex em Guarujá (SP), no qual o ex-presidente Lula foi condenado em 2018.

“As provas do caso triplex embasaram a acusação porque eram robustas, e tanto eram robustas que nove julgadores de três instâncias concordaram com a robustez das provas e condenaram o ex-presidente Lula.”

 “Tentar imaginar que a Lava Jato é uma operação partidária é uma teoria da conspiração que não tem base nenhuma”.

“Quinze procuradores atuam na Lava Jato só em primeira instância em Curitiba. Tem mais de 30 servidores que lá atuam também. Grande parte dessa equipe foi formada antes de aparecer o primeiro político, quando não se tinha ideia de onde a Lava Jato ia chegar. Além disso, nós temos outras dezenas de agentes públicos na Receita Federal, na Polícia Federal, somando centenas de agentes públicos, e imaginar que essas pessoas vão colocar em risco o sustento da sua família, vão colocar em risco o seu cargo, para trair a confiança da sociedade ou prejudicar A ou B, não tem qualquer base na realidade.”

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