Gangorra na fronteira entre México e EUA durou 40 minutos sem autorização

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Na terça-feira (30), crianças e adultos de Estados Unidos e México se reuniram em volta de um trecho da cerca que separa os dois países para brincar com três gangorras rosas, montadas ali pela equipe do arquiteto Ronald Rael e da designer Virginia San Fratello.

As fotos e vídeos do evento, que durou 40 minutos, repercutiram nas redes sociais.

Gangorra na fronteira entre México e EUA durou 40 minutos sem autorização

Foto: Christian Chavez/AP

A equipe não chegou a pedir nenhum tipo de autorização para montar o brinquedo, mas nenhum soldado – mexicano ou americano – tentou impedi-los, disse o arquiteto.

Rael ficou do lado mexicano, em Ciudad Juárez, cidade que vai até bem perto da cerca. Ele explicou que a equipe trabalhava na ideia desde 2009 – três anos depois de a construção da cerca ser autorizada pela “Lei de Cerca Segura”, sancionada pelo então presidente George W. Bush.

“Nós gostamos da ideia de uma gangorra: quando adotamos certas ações de um lado, elas têm consequências diretas do outro – assim como nas relações com nossos vizinhos. É a ideia da brincadeira falando de ações políticas. Serve para as pessoas sentirem essas interações”, disse Rael.

Como parte da equipe de Rael do lado americano, perto da cidade de El Paso, no Texas, estava Kate Green, curadora sênior do museu de arte da cidade.

“Foi um momento importante para unir esses dois lados -que estão separados de tantas formas – de um jeito alegre”, disse. “A uma milha [1,6km] dali, uma cerca privada está sendo construída, então o lugar vem sendo consumido com muitos jeitos negativos de pensar sobre a fronteira”, disse Green.

Apesar da proximidade com a cerca, e da lembrança do muro que o presidente Donald Trump quer construir ali, Green explica que ninguém estava pensando nisso.

“Nós estávamos concentrados no momento feliz: foi muito esperançoso, principalmente para as crianças no lado mexicano. Dava para ver o quanto elas queriam se conectar”, contou.

O arquiteto revela que o rosa foi escolhido por causa do contraste que simboliza com o entorno. A cor também serviu de lembrança para a época de violência em Ciudad Juárez, principalmente nos anos 90, em que várias mulheres foram mortas ou despareceram.

Rael ainda estuda a possibilidade de colocar o brinquedo em outros lugares da fronteira.

“Há bem poucos lugares onde é possível passar o material através da cerca”, disse. “Eu imagino se há oportunidade de fazer isso em outro lugar. Nós estamos conversando, nos perguntando sobre isso”.

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