Ações de Suu Kyi em Mianmar são horríveis, mas Nobel da Paz será mantido, segundo o chefe da Fundação

Ações de Suu Kyi em Mianmar são horríveis, mas Nobel da Paz será mantido

Foto: Kham/Pool Photo via AP

As ações tomadas por Aung San Suu Kyi como líder civil de Mianmar são questionáveis, mas o Prêmio Nobel da Paz concedido a ela não será retirado, segundo o chefe da Fundação Nobel em entrevista concedida à Reuters.

Lars Heikensten, se pronunciou dias antes do prêmio deste ano, disse não fazer sentido retirar prêmios em reação a coisas que aconteceram após sua entrega, já que os juízes teriam que debater os méritos dos laureados constantemente. O Prêmio Nobel da Paz de 2018 será anunciado em Oslo na sexta-feira (5).

Investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) emitiram um relatórioem agosto acusando os militares de Mianmar de realizar execuções em massa de muçulmanos rohingyas com “intenção genocida” em uma operação que levou mais de 700 mil refugiados a fugirem para Bangladesh pela fronteira.

Suu Kyi, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1991 por fazer campanha pela democracia e hoje lidera o governo de Mianmar, foi acusada de não usar sua “autoridade moral” para proteger civis.

“Vemos que o que ela tem feito em Mianmar vem sendo muito questionado, e defendemos os direitos humanos, este é um dos nossos valores centrais”, disse Heikensten em entrevista na última sexta-feira.”Então é claro que, tanto quanto ela é responsável por isso, é muito lamentável”, acrescentou.

Mianmar rejeitou as conclusões da ONU, que classificou como “unilaterais”, e falou que a ação militar, ocorrida após ataques de militantes às forças de segurança em agosto do ano passado, foi uma operação de contrainsurgência legítima.

No último sábado (29), o Parlamento do Canadá rerirou o título de cidadã honorária da líder birmanesa, por se negar a denunciar o “genocídio” da minoria muçulmana dos rohingyas.

“Não acreditamos que faria sentido tentar retirar prêmios… isso nos envolveria em discussões constantes sobre os méritos do que as pessoas estão fazendo mais tarde, depois de terem recebido o prêmio”, disse Heikensten. “Sempre houve e haverá laureados do Nobel que estão fazendo coisas depois de terem recebido o prêmio que não aprovamos ou que não achamos ser coisas corretas. Isso não podemos evitar, acho”, acrescentou.

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