Ataques fatais de ursos geram medo e polêmica na Romênia

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Uma onda de ataques de ursos-pardos na Romênia está criando temores de que a população do animal cresceu e esteja fora de controle no país. Em pouco mais de um mês, três homens foram mortos por ursos — dois deles na região da Transilvânia.

O urso-pardo é o maior carnívoro sob proteção na Europa, e a Romênia é o país com maior número de ursos-pardos do continente. Há cerca de 6 mil ursos vivendo no país e ocorrências envolvendo os animais estão se tornando cada vez mais comuns.

“A população de ursos cresceu e precisa ser reduzida”, afirma o guarda florestal Karoly Pal. O temor levou alguns políticos a promoverem quase que uma “guerra” aos ursos.

Ataques fatais de ursos geram medo e polêmica na Romênia

Foto: Brasov Roads and Bridges Directorate/BBC

Neste mês, um pastor de 63 anos foi morto por um urso nos limites de uma floresta no condado de Mures, na região central da Transilvânia. No mês passado, um pescador de 61 anos foi morto no mesmo condado e outro homem, de 46 anos, foi morto no condado de Bacau, que fica mais ao leste do país.

Esses casos elevam a seis o número de mortes por ataques de ursos neste ano no país, além dos diversos ataques não fatais que também foram registrados. É um número muito acima da média no país.

Acidentes:

Ursos já destruíram plantações de fazendeiros, danificaram carros, mataram rebanhos e causaram de acidentes de trânsito.

No sábado, um grande urso macho foi atingido por um carro. As autoridades demoraram 19 horas para sacrificá-lo. O urso teve três membros quebrados e ficou deitado agonizando na estrada, com a polícia ao lado e pessoas passando, o que gerou revolta de muitas pessoas.

CARD - atenção imagens fortes

Foto: Arte/ Visão TV

Ataques fatais de ursos geram medo e polêmica na Romênia2

Foto: Dorin Niomati/BBC

O primeiro-ministro, Ludovic Orban, afirmou que as autoridades falharam em cumprir seu dever, e que demorou mais de 15 horas para o Ministro do Meio Ambiente receber o pedido para sacrificar o urso. O animal morreu só no domingo à tarde.

Desde então, outros dois ursos foram atingidos por carros.

Ursos pardos podem cobrir grandes distâncias em busca de alimento, já que consomem até 20 mil calorias por dias, nos meses mais quentes, para engordar para o inverno.

Com a redução de seu habitat natural, ficar longe de cidades, plantações, rebanhos e rodovias tem sido um desafio para os animais.

Volta da caça?

Muitos acreditam que o aumento na população de ursos se deve à proibição da caça esportiva, introduzida em 2016.

Mas os números oficiais podem estar errados, afirmam especialistas. Eles dizem que estimativas populacionais de animais são feitas por órgãos de monitoramento de vida selvagem que usam “métodos ultrapassados” e com a possível influência de outros interesses.

“Desde a proibição, há uma pressão de caçadores e guardas florestais para relatar o máximo de danos (causados por ursos) possível”, diz o especialista em ursos Csaba Domokos, da ONG de preservação ambiental Milvus Group.

Domokos teme que, sem um programa de gerenciamento da vida selvagem, as pessoas começarão a agir por si mesmas.

“A preocupação é que as pessoas comecem a usar venenos e armadilhas”, diz ele. Isso teria um efeito catastrófico na população de ursos.

O membro do Parlamento Marius Pascan afirma que o condado de Mures está “sitiado” por ursos.

“Precisamos agir antes que mais pessoas sejam mortas”, disse ele nas redes sociais na semana passada, quando uma mãe ursa e dois filhotes foram fotografados caminhando em uma rua residencial.

Ele explica que “defensores de urso” estavam sendo irresponsáveis e “crianças poderiam ser feridas no caminho para escola”.

Deputados romenos aprovaram uma lei em setembro que permite a caça de ursos-pardos por um período de cinco anos. Ambientalistas já reuniram mais de 100 mil assinaturas em em abaixo-assinado contra a lei.

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